Sistemas Agroflorestais como estratégia de mitigação climática

Aumentar a escala de produção em agroflorestas é uma das soluções baseadas na natureza urgentes para a mitigação das emissões no uso da terra

Redação Vagas no Brasil
1 min. de leitura
Créditos: Vale.com

A transição para modelos agrícolas mais sustentáveis tem ganhado força nas mãos de quem vive o dia a dia no campo.

Adenilson de Almeida Vieira, 28 anos, de Serra Grande (BA), atua há dois anos em um Sistema Agroflorestal (SAF) na Fazenda Sucupira, por meio da Courageous Land — startup apoiada pelo Fundo Vale. Antes, ele trabalhava em lavouras de banana e cacau, onde o uso de agrotóxicos era intenso e os resíduos do campo eram descartados.

Hoje, imerso em práticas agroflorestais voltadas à recuperação ambiental, Adenilson fala sobre adubação verde e biomassa, orgulhoso de ver a terra transformada.

Experiências de transformação

Na Venezuela, Darwin Daniel Cordero Monge, 37 anos, trocou o trabalho em plantações tradicionais por uma nova vida na agricultura regenerativa em Roraima. Na Fazenda Alegria, atua como supervisor de viveiro, orientando no manejo de mudas e espécies nativas.

“Estamos reflorestando, tentando mudar o solo, o clima e combater a mudança climática. A Courageous Land trabalha justamente nisso”, afirma Darwin.

Agroflorestas e mitigação climática

Segundo o IPCC, soluções baseadas na natureza, como os SAFs, podem contribuir com até 37% da redução de emissões necessária para limitar o aquecimento global até 2030.

Estudos da Universidade de Oxford mostram que agroflorestas com espécies nativas capturam até 12 toneladas de CO₂ por hectare ao ano.

Além disso, pesquisas apontam que os SAFs:

  • conservam até 80% mais biodiversidade que cultivos convencionais;
  • melhoram em 90% o controle da erosão;
  • aumentam em 50% a infiltração de água no solo.

Financeiramente, créditos de carbono ligados a SAFs podem gerar até US$ 500 por hectare/ano.

Desafios para expansão

Apesar do potencial, os SAFs ocupam menos de 1% das terras agrícolas globais. No Brasil, apenas 0,3% dos estabelecimentos rurais utilizam esse sistema, segundo o IBGE (2023).

O Plano ABC+ estabelece meta de 5 milhões de hectares em agroflorestas até 2030, mas entraves como financiamento, políticas públicas e suporte técnico ainda dificultam a expansão.

A Courageous Land, com apoio do Fundo Vale (VALE³), desenvolveu uma plataforma de inteligência agroclimática que oferece diagnóstico gratuito sobre o potencial agroflorestal e climático de qualquer terra no Brasil.

COP 30 e os SAFs

Na COP 30, a agricultura regenerativa e os sistemas agroflorestais devem ganhar protagonismo como ferramentas contra a crise climática.

O avanço em regulamentação de créditos de carbono e maior acesso a fundos climáticos podem viabilizar a adoção dos SAFs em escala continental.

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